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Posso cancelar o contrato se o cliente não colaborar?

  • Foto do escritor: Débora Macedo de Souza
    Débora Macedo de Souza
  • 4 de jul.
  • 4 min de leitura

A resposta é SIM, mas você precisa ter isso no papel!


Você já teve um cliente que some por semanas, não entrega os materiais combinados, muda tudo na última hora, ou simplesmente transforma cada interação num desgaste?


Aposto que você já pensou em encerrar o contrato com esse cliente, mas tem medo de ser acusado de inadimplente. Essa situação é mais comum do que deveria ser, e a solução está numa cláusula que a maioria dos contratos digitais simplesmente não tem.


Duas mulheres de blusas estampadas analisam e assinam documentos numa mesa cinza, em um escritório claro e tranquilo.

O contrato só pune quem presta o serviço e esquece que o cliente também tem obrigações


A maioria dos contratos de serviços digitais é construída de forma unilateral: cheia de obrigações do prestador e vazia de obrigações do cliente. Prazo de entrega? Do prestador. Multa por atraso? Do prestador.

Mas e quando o cliente não entrega o briefing, não aprova em tempo, muda o escopo sem aviso ou trata você com desrespeito?

Sem cláusula específica, você fica preso e obrigado a continuar executando um serviço para alguém que não colabora, sem poder sair sem risco jurídico.


Um contrato desequilibrado não protege ninguém. Para ele funcionar, os dois lados precisam ter obrigações claras e os dois lados precisam poder ser responsabilizados pelo descumprimento.


O cliente também é parte do contrato e tem obrigações que precisam estar escritas


Um dos princípios fundamentais dos contratos é o que chamamos de alteridade: em uma relação contratual, um lado não existe sem o outro.


O prestador depende do cliente para executar o serviço, e o cliente depende do prestador para receber a entrega. Isso significa que o cliente é parte ativa do contrato e tem deveres que, se descumpridos, afetam diretamente a sua capacidade de executar.


Esses deveres precisam estar escritos no contrato. Sem isso, qualquer tentativa de rescisão baseada na conduta do cliente pode ser interpretada como descumprimento seu e virar um processo contra você.


Exemplos de obrigações do contratante que devem constar no contrato

  • Fornecer os materiais e informações necessários em até X dias úteis após solicitação.

  • Aprovar ou solicitar ajustes nas entregas em até X dias úteis.

  • Comparecer às reuniões agendadas ou reagendar com X horas de antecedência.

  • Manter comunicação respeitosa e dentro dos canais definidos.

  • Pagar os valores nas datas estabelecidas.


Inadimplemento não é qualquer descumprimento de obrigação


Existe uma confusão muito comum no mercado digital: a ideia de que “inadimplente” é só quem não paga.


Do ponto de vista jurídico, inadimplência é o descumprimento de qualquer obrigação assumida no contrato, seja ela financeira, de colaboração, de entrega de material ou de prazo de aprovação.


Quando o cliente some por três semanas e você não consegue entregar o serviço, ele está em inadimplemento. Mas para usar isso como fundamento de rescisão, você precisa ter previsto essa obrigação no contrato.


Chama-se inadimplemento do credor ou mora do credor a situação em que a parte que deveria receber a prestação dificulta ou impede o cumprimento da obrigação pelo prestador.


Isso tem consequências jurídicas, mas só funciona a seu favor se o contrato registrar o que era esperado do cliente.


O que a sua cláusula de rescisão precisa prever?


Uma cláusula de rescisão completa para prestadores digitais precisa contemplar pelo menos três cenários distintos:


1 - Rescisão por inadimplemento financeiro do cliente: se o pagamento não for realizado em X dias após o vencimento, você tem o direito de suspender os serviços e rescindir o contrato, retendo os valores já recebidos proporcionalmente ao trabalho executado.


2 - Rescisão por descumprimento de obrigações de colaboração: se o cliente não fornecer os materiais, não aprovar entregas ou não comparecer às reuniões dentro dos prazos estabelecidos, e esse descumprimento persistir após notificação formal, você pode rescindir o contrato sem penalidade.


3 - Rescisão por conduta incompatível com a boa-fé contratual: comportamentos abusivos, comunicação ofensiva ou qualquer conduta que inviabilize a relação profissional constituem fundamento para rescisão imediata, com retenção dos valores proporcionais já executados.


Inclua sempre um procedimento de notificação antes da rescisão: um aviso formal por escrito com prazo para regularização (geralmente 5 a 10 dias). Isso protege você de acusações de rescisão abrupta e demonstra boa-fé, o que pesa muito caso o conflito evolua para uma disputa judicial, por exemplo.


O princípio da boa-fé também vale para você


Todo contrato, mesmo quando não menciona explicitamente, está sujeito ao princípio da boa-fé objetiva que nada mais é do que a obrigação de agir com lealdade, transparência e cooperação ao longo de toda a relação contratual.


Isso significa que, mesmo tendo o direito de rescindir, você precisa fazer isso de forma proporcional e documentada. Uma rescisão sem aviso, sem registro e sem notificação prévia pode ser questionada, mesmo que você esteja completamente certo sobre os motivos.


Documente tudo antes de acionar a rescisão: salve os históricos de mensagens, registre os prazos descumpridos, envie a notificação por escrito e guarde o comprovante. Quanto mais documentação você tiver, mais segura é sua posição, tanto para encerrar o contrato quanto para, se necessário, cobrar o que é seu.


Contrato não é para quando a relação não funciona.


A maioria dos prestadores de serviços digitais só pensa em contrato quando o cliente desaparece com o dinheiro.


Mas as situações mais desgastantes e mais difíceis de resolver sem amparo jurídico são aquelas em que o cliente paga, mas não colabora, não respeita e não permite que você execute o trabalho com qualidade.


Um contrato que prevê os dois lados da relação é o que permite que você trabalhe com segurança, encerre vínculos problemáticos sem culpa e mantenha sua saúde financeira e profissional intactas.


Seu próximo contrato pode ser mais simples do que você pensa!


Se você presta serviços no digital e ainda fecha negócio só na conversa, tá na hora de revisar sua estrutura contratual. Um contrato bem feito protege, passa confiança e te posiciona como referência no mercado. Me chama que eu te ajudo com isso.


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